11 de mar de 2014

Encriptação de dados torna usuário um alvo preferencial da NSA



Depois de Edward Snowden defender a criptografia como a melhor forma de dificultar a vida da NSA (Agência de Segurança Nacional dos EUA) em sua missão de espionagem global, o jornalista e ativista Glenn Greenwald fez uma ressalva. Utilizar esta prática faz com que o usuário acabe se tornando um alvo maior para a organização.

Falando na SXSW, em Austin, Greenwald cita que a agência considera que proteger seus dados é uma coisa suspeita. "Se você quer esconder deles o que você diz, isso deve significar que o que você diz é uma coisa ruim", afirmou o ex-repórter do jornal britânico Guardian, que ajudou Snowden a revelar o escândalo da NSA no ano passado.

Na segunda-feira, Snowden tratou a criptografia end-to-end como uma obrigação para a indústria de tecnologia. Torná-la padrão, e não apenas uma opção, dificultaria a vida da NSA em monitorar os usuários de internet. A ação requeriria um direcionamento de esforços da agência: em vez de vigiar o tráfego em massa, apenas algumas pessoas suspeitas seriam monitoradas.

Ele também sugeriu a encriptação de HDs, instalação de plugins contra rastreamento no navegador e o uso do Tor para navegação anônima. Contudo, essas ações podem trazer mais atenção da NSA para você, alertou Greenwald.

"Eles veem o uso de criptografia como evidência de que você é suspeito e podem voltar sua atenção para você caso você decida utilizar a ferramenta", afirmou.

O jornalista conta que o público normal vê a encriptação e outras técnicas básicas de segurança como complicadas. Como poucos as utilizam, os dados criptografados acabam chamando mais atenção da agência.