15 de fev de 2014

Combustível de fusão gera mais energia do que recebe pela primeira vez

Combustível de fusão gera mais energia do que recebe pela primeira vez


A habilidade de manter um processo que gere mais energia do que é usada para iniciá-lo de uma forma que não produza detritos tóxicos ou esgote os recursos naturais do planeta é certamente um dos maiores objetivos dos cientistas do mundo inteiro – e talvez a única coisa que possa efetivamente salvar nosso planeta. E um novo avanço nas pesquisas nucleares fez com que esse feito se torne um pouco mais possível.


Pesquisadores norte-americanos das Instalações de Ignição Nacional do Laboratório Nacional Lawrence Livermore, na Califórnia, conseguiram finalmente com que uma sequência de reações de fusão gerasse mais energia do que é gasta pelos lasers que a inicia. Embora a emissão energética ainda não tenha chegado a níveis que superem o que é consumido pelo processo como um todo, esse ainda é um passo significativo.

Vale ressaltar que até o ano passado, os cientistas anunciaram ter conseguido apenas produzir mais energia por meio da reação de fusão do que a quantidade que era absorvida pelo combustível, e não do que a que era inserido pelos pesquisadores no material. Mas o pequeno sucesso divulgado agora exige um processo complicado e cuidados extremos.

Um grande pequeno passo


Combustível de fusão gera mais energia do que recebe pela primeira vez

Tentando replicar as condições presentes no núcleo do nosso Sol, os cientistas disparam poderosos lasers em uma pequena quantidade de combustível que envolve o interior de uma cápsula esférica de ouro com dois milímetros de diâmetro. 

O metal precioso então começa a emitir raios-X que aquecem a bolota drasticamente e a fazem implodir e leva a cobertura (que contem isótopos de hidrogênio chamados trítio e deutério) a se fundir parcialmente.

A chave para o sucesso atual foi uma dose adicional de cautela, atingida por meio de uma modificação no pulso de laser para que ele não rompesse a concha usada no processo necessário de compressão do combustível, aumentando o rendimento de energia. Ainda assim, a quantidade liberada não passou dos 17 kilojoules – o que significa que ainda estamos bem longe de reatores de fusão nuclear a laser.

Dessa forma, o avanço se configura como uma vitória pequena, mas que ainda nos deixa distantes de resolver as questões energéticas mundiais. Embora o resultado ajude consideravelmente os planos formativos para a construção de um reator de fusão, por enquanto o objetivo principal do projeto em questão vai continuar sendo entender como a reserva nuclear dos EUA vem envelhecendo – e quais os riscos que isso representa.


Fonte: The Guardian