5 de fev de 2014

Financie isso: QuadStick, um controle de videogame para tetraplégicos

Caro colega aficionado por joguinhos: você já parou para pensar como seria sua vida, caso seus braços e pernas não se movimentassem? 

E isso é só uma proposta de reflexão, não uma ameaça. De qualquer forma, existem no mundo alguns vários tetraplégicos que também devem ser apaixonados por jogos, com o inconveniente da limitação física, que os impede de segurar joysticks e mouses comuns.

A título de esclarecimento, a tetraplegia é uma lesão medular que paralisa braços e pernas, fazendo com que o portador só consiga movimentar, em alguns casos, o pescoço e a cabeça.
Pensando nisso, o engenheiro de sistemas Fred Davidson criou o protótipo do QuadStick, um controle operado pela boca e pela voz do usuário. 

O aparelho se orienta por quatro sensores de sopro e sucção, um sensor de posição labial e um interruptor, conectados a um processador ARM de 32 bits, que transforma as entradas do sensor em sinais conduzidos por USB ou Bluetooth para dispositivos como PlayStation 3, computador e aparelhos com Android. Também é possível utilizar a engenhoca no Xbox 360 e no Xbox One, basta acoplar um adaptador.
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Quando o QuadStick ganhará vida? Bem, é aí que você entra. O criador do projeto lançou sua página no Kickstarter nesta terça-feira (4), e precisa de ajuda com doações para atingir a meta dos US$ 10 mil necessários para sua produção. 

A campanha fica no ar até o próximo dia 6 de março, então dá tempo de juntar algumas moedas verdes e colaborar com a ideia, que parece muito interessante (se você considerar o ponto de vista filantrópico da coisa).

Os sinais captados pelos sensores e enviados para os aparelhos são totalmente configuráveis pelos usuários, e podem ser salvos em perfis pré-definidos, a fim de se moldar de acordo com diversas situações de um jogo. 

Essas informações são salvas na memória interna e os arquivos de configuração são formatados em planilhas do Google Drive (que também estão disponíveis para download direto no controle, quando conectados ao PlayStation 3 ou ao computador).

O QuadStick utiliza, para reconhecimento de voz, o software Dragon Naturally Speaking, além do próprio serviço de reconhecimento de fala do Windows. Por meio disso, o usuário pode conversar com o controle, dizendo quais botões pretende utilizar, como “Círculo” ou “Triângulo”, dando comandos para que sejam pressionados. 

Como são, aparentemente, bastante customizáveis, os comandos podem ser trocados para frases curtas ou palavras mais simples, conforme for mais confortável para o jogador.

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É pelos comandos de fala, também, que o QuadStick se atualiza ou carrega novas configurações, tornando esse passo mais cômodo do que se utilizasse somente o “manuseamento” por sensores labiais. “Apesar de não ser necessário para utilizar com sucesso o QuadStick, os comandos de voz fazem com que algumas ações sejam mais fáceis e simples de executar”, diz a descrição da página.

O projeto, no entanto, não é exatamente vanguardista. Em 1981, o engenheiro Ken Yankelevitz, dos Estados Unidos, já havia criado algo semelhante para funcionar no Atari, o Quad Control Joystick. O trabalho de Davison foi inspirado nele e contou com a ajuda de Yankelevitz, conforme o criador conta na descrição do projeto.

Por que é legal? É um passo a mais na autonomia (pelo menos de entretenimento) de tetraplégicos e pessoas que, por algum motivo, não possuem movimentos manuais.

Por que é inovador? Apesar do conceito já existir, o QuadStick tem como diferença ser mais ergonômico e o uso de comandos por fala, que dão um belo upgrade na ideia toda.

Por que é vanguarda? Torna pessoas “desabilitadas” aptas a jogar e controlarem seus próprios aparelhos. Precisa de mais?

Vale o investimento? Muito, principalmente se você tem parentes nessa condição ou mesmo se for apenas um entusiasta de boas ideias. :)