11 de mar de 2014

Fabricante de celulares baratos, chinesa Xiaomi mira o Brasil



Em 2013, o mineiro Hugo Barra trocou o Google, onde era vice-presidente global do Android, pela chinesa Xiaomi (pronuncia-se "Xau-mi"). Oito meses depois, a transação radical - do Ocidente para o Oriente - ganha contornos mais nítidos. Especialista em grandes mercados, Barra anunciou esta semana que pretende trazer a empresa - e seus celulares bons e baratos - à América Latina, começando pelo Brasil. 

A informação foi contada por meio de uma foto postada no perfil dele, no Google Plus, na companhia de Antonio Anastasia, governador de Minas Gerais, e do Embaixador do Brasil na China, Valdemar Carneiro Leão. Os três se encontraram em Pequim para discutir a expansão da companhia.

Barra atua como vice-presidente global da fabricante chinesa, logo, espera-se que ele justamente comande o processo de internacionalização. Pontencial a Xiaomi tem de sobra: ao contrário do estereótipo das concorrentes locais, a companhia faz fama com o cuidado de não copiar, mas oferecer novidades para seus clientes.

Um dos grandes diferenciais da empresa, criada em 2010, é oferecer smartphones com especificações capazes de competir com os melhores aparelhos das grandes marcas, mas com preços amigáveis. Sem nenhum contrato com operadoras ou subsídio, o valor de um produto de topo de linha chega a custar cerca de US$ 300, metade de um Galaxy S4 ou um iPhone. Todos os produtos são vendidos pelo site oficial da companhia.

Reprodução

A estratégia é simples. Eles quase não lucram com a venda dos celulares da companhia. Para fazer valer o investimento com uma margem de lucro tão apertada, eles mantêm os produtos no catálogo por mais tempo. Além disso, também vendem acessórios optativos para maximização dos lucros. A companhia não possui um Moto X, completamente personalizável (embora o recurso não exista no Brasil), mas é possível comprar diferentes tampas traseiras e baterias extra ao comprar o celular.

“O negócio de acessórios só faz sentido com grandes volumes de um modelo em particular”, afirma Lin Bin, fundador da companhia e personagem extremamente curioso, conhecido pela sua inspiração em Steve Jobs. 

Contudo, vender o hardware apenas não é o foco. Apesar da alcunha de “Apple oriental”, a companhia se assemelha mais ao Google neste ponto, já que outra fonte de renda são os serviços oferecidos aos seus consumidores. “O futuro da internet móvel são os serviços”, explica Bin. Este posicionamento é facilmente compreendido pelo fato de que ele trabalhou no Google e também explica um pouco os motivos de Hugo Barra ter se sentido à vontade para migrar para a companhia chinesa. 

Alguns destes diferenciais estão na própria versão do Android utilizado pela companhia em seus dispositivos. Apelidado de “MIUI”, o sistema operacional é altamente modificado em relação à versão pura encontrada na linha Nexus, por exemplo. Ele chega a ser comparada até mesmo com o iOS, já que ao contrário da maioria dos Androids do mercado, não há uma “gaveta” de aplicativos. Todos eles ficam na tela principal, exatamente como nos iPhones, e o usuário pode organizá-los em pastas, na disposição em que preferir. Além disso, há vários recursos próprios para os quais o usuário do MIUI é direcionado, como troca de mensagens em nuvem, segurança do dispositivo e recursos de backup.

De qualquer forma, é fácil perceber que a estratégia, embora talvez não seja a mais lucrativa, tem agradado bastante os consumidores chineses. O Mi3, lançamento da empresa em 2013, chegou a vender 100 mil smartphones em 90 segundos, uma marca impressionante. Isso só foi possível graças ao fato de não haver lojas físicas da Xiaomi; todas as compras foram feitas pela internet. São duas versões do aparelho: uma com o processador Snapdragon 800, da Qualcomm, enquanto o outro usa o chip Tegra 4, da Nvidia.

“Nós não somos apenas uma empresa chinesa barata, fazendo um telefone barato. Seremos uma companhia que fará parte do Fortune 500”, afirma ao New York Times o CEO Lei Jun, fazendo referência à lista anual da Fortune, que organiza as companhias com as maiores arrecadações do mundo.