19 de mar de 2014

Pulseira Up chega ao Brasil com promessa de medir sono e atividade física

A pulseira Up, da Jawbone, é vendida nos Estados Unidos desde 2012; acessório conta com diversas cores

A pulseira medidora de atividades físicas Up, da Jawbone, é um gadget relativamente simples (um pedaço de borracha flexível com sensores), mas agrada pelo tipo de informação que disponibiliza ao usuário. Em um aplicativo no smartphone, ela mostra a quantidade de passos que uma pessoa deu no dia e detalhes sobre a qualidade do sono da pessoa.
Disponível oficialmente no Brasil desde a abertura da primeira loja oficial da Apple, a pulseira tem valor sugerido de R$ 650. Nos Estados Unidos, o modelo custa US$ 130 (cerca de R$ 350) e é vendido desde 2012. A empresa já até lançou uma atualização da pulseira, chamada Up24, com conexão sem fio.
Acompanhe a seguir os principais recursos da pulseira:

Como funciona

A pulseira, em si, não é difícil de manusear. Há um discreto botão (é possível emitir alguns comandos segurando-o ou pressionando-o algumas vezes rapidamente) e um conector P2, que é ligado na entrada de fone de ouvido do smartphone. Ela começa a mostrar a que veio quando é sincronizada com o aplicativo da companhia, disponível gratuitamente para as plataformas Android e iOS.
Após configurar as informações pessoais (idade, peso e altura) no aplicativo e sincronizar a pulseira, ela começa a medir as atividades do usuário. Tarefas específicas, como registrar o sono, exige que a pessoa segure o único botão da pulseira até aparecer um ícone de lua, por exemplo.
O conjunto de sensores mede os movimentos do usuário enquanto ele dorme, permitindo assim dar uma noção sobre a qualidade do sono. Essa mesma estrutura consegue monitorar atividade física, indicando quantos passos a pessoa deu em um único dia.

O aplicativo da companhia ainda permite monitorar as calorias do que a pessoa comeu. Isso pode ser feito por meio da detecção do código de barra de determinado produto (como um salgadinho) ou ao tirar uma foto e descrever a refeição. Com essas informações, ele estima os valores nutricionais do alimento.

Medindo o sono

A reportagem usou a pulseira por uma semana e gostou do que viu. O gadget não é intrusivo (é relativamente discreto) e o aplicativo, de forma indireta, acaba transformando todo o monitoramento em um "jogo".
Com esse controle, me esforcei em cumprir uma meta (pessoal) de dormir no mínimo seis horas e 30 minutos (o recomendado pelo aplicativo é de sete a nove horas).É possível ainda comparar o resultado com o de seus amigos do Facebook – uma tarefa ainda árdua no Brasil, pois a pulseira não tem muitos adeptos no país.
A função de medir o sono mostra detalhes como hora em que o usuário deitou, quantas horas ficou na cama, quantas vezes acordou durante a noite, quantas horas dormiu e quanto tempo foi de sono leve ou profundo.

Pulseira Up, da Jawbone, pode medir passos e informar qualidade do sono
Essas funções são medidas, diz a Jawbone, ao analisar micromovimentos do usuário. Quanto menos se movimentar, a pulseira entende que está em sono profundo. Se a pessoa se mexer com certa frequência, a pulseira entende como um sono leve.
O problema é que a pulseira dá um relatório detalhado para o usuário, mas ele pode não saber como usar essas informações (de forma geral, servem apenas para se ter uma ideia do que acontece enquanto dorme).
"Os sensores de movimento ajudam a medir a atividade muscular durante o sono. Isso pode ajudar a detectar problemas de sono irregular, como insônia ou apneia", explica Angela Lana, otorrino e especialista em medicina do sono.
Para ela, o trunfo da pulseira é usar um método chamado actigrafia, que consiste em medir constantemente a atividade física da pessoa.
No entanto, destaca Angela, a pulseira é limitada, pois só monitora os movimentos. "Ele simplifica as fases do sono em apenas duas (leve e pesado), e a análise só é feita com base na atividade muscular. Para um diagnóstico completo, seria necessário correlacionar as atividades cardíaca, respiratória e a movimentação."

Atividade física

O recurso de medir a atividade física também é útil, apesar de não ser relativamente novo (aparelhos como o iPod nano ou mesmo smartphones modernos já o fazem). A vantagem é que ele é menos intrusivo, pois trata-se de uma pulseira confortável e sem muitos recursos (como uma tela) para distrair o usuário.
Reprodução
Tela do aplicativo da pulseira Up, da Jawbone, exibe monitor de atividade física
Basicamente, ele exibe a quantidade de passos dada diariamente e as calorias queimadas, de acordo com idade e peso. Como parâmetro, o aplicativo da pulseira recomenda que o usuário caminhe 10 mil passos para ter uma rotina ativa.
"É um parâmetro para que a pessoa saia do sedentarismo", opinou o professor de educação física Mario Mello.
Para ele, quem já se exercita não costuma usar esses gadgets. Mas, entre os sedentários, pode ser uma opção interessante. "Hoje em dia, as pessoas trabalham muito e quase não têm tempo para fazer exercício. Aparelhos como esses são interessantes para motivar a se movimentar mais e ter uma saúde melhor", disse.
Com o aplicativo, ainda é possível configurar alertas de inatividade: se a pulseira perceber que a pessoa ficou sem caminhar por duas horas seguidas, por exemplo, ela começa a vibrar como forma de alerta.

Vale a pena?

A pulseira é um acessório interessante porque é discreto (poucas pessoas perguntaram do que se tratava) e fornece dados interessantes sobre os hábitos do usuário (sobretudo aqueles relacionados ao sono, que permitem até a detectar parcialmente problemas).
Reprodução
Tela do aplicativo da pulseira Up, da Jawbone, mostra gráfico de sono do repórter
A tática de estabelecer metas e mostrar os dados de atividade física faz com que o usuário se engaje na causa proposta pelo aplicativo. Porém, ele deixa em aberto sobre o que se deve fazer com as informações coletadas.
Para isso, foi necessário consultar uma especialista. Ao analisar o gráfico de uma noite de sono minha, Angela notou que acordei uma vez, tive uma boa dose de sono profundo (cerca de 40%) – o que é bom – e, provavelmente, estava em um sono REM (movimento rápido dos olhos, da sigla em inglês), quando fui acordado pelo despertador. Nessa etapa, o corpo, geralmente, fica imóvel, enquanto a atividade cerebral é bem alta -- neste momento é que são processados os sonhos.
O principal problema da pulseira no Brasil é o preço. Vai ser difícil convencer um comprador a gastar R$ 650 num eletrônico para monitorar atividade física, sendo que outros gadgets já o fazem (mesmo de forma não dedicada, como é o caso do medidor de passos do iPod nano).
Já a questão do sono é interessante, mas depois da primeira semana perde a graça: você passa a ter uma ideia de como dorme, mas provavelmente não vai querer fazer esse monitoramento a longo prazo (se tiver algum problema, é provável que peça a um médico para fazer um teste mais específico).
A título de comparação, pelo preço da pulseira dá para comprar no Brasil um smartphone Moto G. Que não mede seu sono, mas faz e recebe ligações, permite tirar fotos e executa mais um monte de tarefas com aplicativos – inclusive, a de medir atividades físicas.